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Quando uma pinta pode ser perigosa?

País com sol e calor na maior parte do ano, o Brasil registra cerca de 180 mil novos casos de câncer de pele a cada ano, o que representa mais de 30% de todos os casos de câncer no país. Felizmente, apenas 3% desses diagnósticos correspondem ao melanoma, o tipo mais agressivo. Os outros tipos, chamados de câncer de pele não melanoma, têm baixa letalidade, mas constituem um sério problema de saúde pública por ser tão comum na população.

O Inca estima que cerca de 6.200 casos de melanoma sejam diagnosticados a cada ano (2.900 em homens e o restante em mulheres), sendo que a doença provoca aproximadamente 1.500 mortes. A seguir você vai descobrir como identificar alterações suspeitas e como afastar os riscos dos diferentes tipos de câncer.

A pele é o maior órgão do nosso corpo e é formado por três camadas:

Epiderme: a mais externa, que vemos a olho nu, tem como objetivo formar uma barreira protetora, dificultando a saída de água e a entrada de agressores, como micróbios. Nessa camada estão os melanócitos, células que produzem a melanina (pigmento que dá cor à pele). É aqui que se formam a maior parte dos cânceres.

Derme: camada intermediária, formada por colágeno e elastina, entre outros componentes que dão tonicidade à pele. A região é cheia de vasos sanguíneos e terminações nervosas, que permitem sensações como frio e calor. Também aqui é que se localizam os folículos de onde nascem os pelos, as glândulas que produzem sebo e suor.

Hipoderme: a última camada, mais interna, é formada principalmente por células de gordura e tem a função de manter a temperatura e acumular energia (calorias).

Como surge o câncer?

Apesar de funcionar como barreira protetora, a pele não é impermeável e alguns agentes externos podem ser absorvidos por ela. O principal inimigo é a radiação ultravioleta emitida pelo sol. Idosos e crianças têm a pele mais fina, por isso são mais vulneráveis a esse agressor, que provoca envelhecimento e pode causar mutações no DNA das células.

O câncer é todo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele, devido a mutações que, na maioria das vezes, são adquiridas ao longo da vida, durante o processo de multiplicação celular. Apenas cerca de 5% dos casos de câncer de pele podem ser atribuídos a mutações genéticas herdadas dos pais.

Tipos de câncer de pele e seus sintomas

Dependendo do tipo de célula afetado, o câncer de pele pode ser dividido em três tipos principais:

CARCINOMA BASOCELULAR

O mais prevalente dos cânceres de pele surge nas células basais, que ficam na parte mais profunda da epiderme. É mais comum em regiões expostas ao sol, como rosto, orelha, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas.

Sinais e sintomas: às vezes as lesões podem se assemelhar a outras doenças, como eczema ou psoríase. Em geral se manifesta como uma mancha avermelhada, brilhante, com uma crosta no meio que pode sangrar com facilidade.

CARCINOMA ESPINOCELULAR

O segundo tipo mais comum ocorre nas células escamosas, as mais comuns na parte superior da pele. Também é mais frequente em áreas mais expostas ao sol e mais prevalente em homens do que em mulheres. Alguns casos ainda podem ser associados a feridas crônicas, uso de drogas para evitar rejeição a transplantes ou agentes químicos.

Sinais e sintomas: costumam ter coloração avermelhada e se parecem com machucados ou feridas descamativas que não cicatrizam e sangram às vezes. Mas também podem ter aparência similar a de verrugas.

MELANOMA

Esse é o tipo menos frequente, mas com pior prognóstico, pois envolve maior risco de metástase. Mesmo assim, a detecção precoce traz grandes chances de cura.

Sinais e sintomas: como esse tipo de câncer afeta os melanócitos (que produzem pigmento), a manifestação é sempre uma pinta ou sinal acastanhado ou negro que muda de cor, formato ou de tamanho e pode causar sangramento. As lesões podem surgir em áreas menos visíveis, porém são mais comuns nas pernas, no tronco, pescoço e cabeça. Nos estágios iniciais, afeta apenas a camada mais superficial da pele, mas pode avançar para as mais profundas e alcançar outros órgãos, causando nódulos, inchaço nos gânglios linfáticos ou outros sintomas específicos na região afetada.

OUTROS TUMORES

Existem alguns tipos de câncer de pele não melanoma menos frequentes, como o sarcoma de Kaposi, o linfoma de pele e outros, mas eles representam menos de 1% de todos os casos.

Quando procurar um dermatologista

Muitas lesões cancerosas podem se assemelhar a pintas, manchas ou machucados, por isso de maneira geral é importante procurar um dermatologista toda vez que você perceber alguma alteração na pele, como:

Manchas que coçam, ardem, escamam ou sangram;Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor;Feridas que não cicatrizam em 4 semanas;Mudança na textura da pele ou dor.

Regra do ABCDE

Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, os dermatologistas criaram uma metodologia baseada nas letras do alfabeto:

A metodologia baseada nas letras do alfabeto ajuda a identificar lesões de pele suspeitas.

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Imagem: Divulgação/Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

– A de assimetria: quanto mais assimétrica for uma mancha ou pinta, maior o risco de ser um câncer;

– B de bordas: bordas irregulares também são sinais de perigo;

– C de cor: pintas com mais de uma cor e com tons pretos podem ser melanoma;

– D de diâmetro: lesões com mais de 5 milímetros merecem mais atenção;

– E de evolução: mudanças na cor, tamanho ou forma de uma lesão ou pinta devem ser investigadas

Lesões pré-câncer

Algumas lesões são consideradas pré-câncer, ou seja, são condições causadas pela exposição excessiva ao sol com potencial para se transformar na doença. Um dos exemplos é a chamada queratose solar, que em geral se manifesta como pontos irregulares nas cores rosa, vermelho ou bege.

O carcinoma espinocelular in situ ou doença de Bowen é considerado um precursor do câncer de células escamosas. Em geral, se manifesta por manchas rosadas na pele, com bordas irregulares, e também é provocado pela exposição ao sol.

Como fazer o autoexame

Em frente a um espelho, com os braços levantados, examine seu corpo de frente, de costas e dos lados direito e esquerdo. Dobre os cotovelos e observe cuidadosamente as mãos, antebraços, braços e axilas. Examine as partes da frente, de trás e dos lados das pernas. Sentado, examine atentamente a planta e o peito dos pés, assim como os espaços entre os dedos. Com o auxílio de um espelho de mão e de uma escova ou secador, examine o couro cabeludo, pescoço e orelhas. Também com o auxílio do espelho de mão, examine as costas. Ao perceber qualquer alteração na pele, consulte um médico.

Como escolher o melhor protetor solar e aplicar o produto

– Opte por produtos que oferecem proteção contra radiação UVA e UVB e que tenham FPS (fator de proteção solar) de no mínimo 30, especialmente se você tem pele clara. Se tiver dúvidas, consulte o dermatologista sobre o produto mais indicado para seu tipo de pele.

– O protetor deve ser usado em abundância –o equivalente a uma colher de chá rasa para o rosto e três colheres de sopa para o corpo — e espalhado de maneira uniforme.

– A primeira aplicação deve ser feita 15 minutos antes de se expor ao sol. Reaplique a cada duas horas ou após entrar na água.

– Existem protetores químicos (que funcionam como “esponja”) e físicos (à base de dióxido de titânio e óxido de zinco), que ajudam a refletir a radiação incidente. O uso de coloração de base reduz o aspecto esbranquiçado desses últimos.

– Lembre-se que só o filtro solar não basta. É preciso se proteger com roupas e guarda-sóis, e buscar sombras nos períodos de maior emissão de UV (das 10h às 16h).

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

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